Finitude
Não é vazio o que sinto, nem saudade.
Percebo o inexorável da vida,
aquilo que não posso deter, por mais que queira.
Pessoas vão-se em maior número do que as que chegam,
Enquanto caminho rumo ao finito.
A finitude apresenta-se aos pouquinhos,
Na mesma medida em que perco pessoas,
massa muscular, óssea, encefálica...
Dá medo de verdade e enquanto tento parar o que vejo,
uso alquimia contra a degenerescência,
assim como cuido do espírito, para que não envelheça.
Tento também reter quem se vai, sem sucesso,
pois, assim como eu, outrora, virei as costas e fui
ao encontro da vida, da felicidade, da liberdade,
os meus alçam voos, altos e dirigem-se, como eu,
em breve, às suas próprias finitudes.
Trocar idéias é o principal mote deste blog. A possibilidade de interação entre mim e os leitores é algo que me mobiliza, me encoraja e instiga a continuar escrevendo. Mas isso não basta, quero dialogar ao mesmo tempo em que quero monologar, construindo uma base para por em ordem meus pensamentos, em forma de desabafo, em forma de registro, em forma de comemoração, em forma de lamento. Convido-os a que me visitem às vezes, que opinem sempre, que vivam comigo coisas parecidas com ss suas.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Consegui, acho!
Estou sem fumar desde a última postagem. Confesso que tramei mil formas de driblar a mim mesma, que pensei em mil formas de dar uma tragadinha aqui e ali para acabar com o calvário em que eu estava metida. Falo de calvário de boca cheia mesmo, por que o que vivi até ontem foi o inferno puro e simples. Ontem mesmo tive pena dos que me rodeavam, por que eu estava escabelada, desnorteada, com vontade de matar alguém. Chorei amargamente por diversas vezes, ainda ontem, e perguntei à minha nora Angélica se alguém já tentou se matar por causa de síndrome de abstinência. Ela sorriu e, coisa bem do jeito dela, um tempo depois, ela falou que sim, que poderia acontecer. Disse que o cigarro não merece tudo isso e que eu deveria mudar o foco. Quando ela falou isso, eu há havia tomado umas gotinhas milagrosas, motivo pelo qual, pude ouvir e analisar bem o que aquilo significava. Desde aí, melhorei. Hoje tive vontade de fumar, mas, mesmo que tivesse acesso a uma tragada eu a recusaria. Não tenho mais medo de morrer de falta do cigarro, já posso pensar em outras coisas bem agradáveis. Sei que vou viajar e isso não implica mais em planejar em quanto cigarro levar, onde fumar e onde vou colocar a bituca que abomino. Não há coisa mais mal cheirosa do que uma bituca de cigarro, não há nada mais humilhante do que transitar por aí, bituca na mão, procurando um lugar para o descarte do que, sei, vai demorar alguns anos para se decompor. Ufa! Dessa me safei! Nunca mais, nunca mais, nunca mais! Nem uma tragadinha, nenhum cheirinho ruim na minha roupa, nenhuma tentativa desesperada de tentar disfarçar o que me envergonhava tanto. Ainda estou com vontade, mas vou aguentar.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Parei de fumar!
Esta é a terceira vez que paro de fumar. Das outras duas tive êxito, juro! Fiquei um ano e três meses livre e saudável. Livre por que não precisava mais procurar lugares para fumar, geralmente longe das pessoas e envergonhada por ter que enfrentar vento, chuva, isolamento. Saudável, por que engordei, senti sabores mais intensos, respirei melhor, conversei mais, convivi de forma muito mais intensa. O que me fez perder a batalha, nas duas vezes, foi a valentia e a saudade. Valentia por me sentir totalmente fora do vício e saudade, não do cigarro, mas da companhia, do ritual de pegar aquele objeto tão próximo, acendê-lo e tragar, para depois soltar a fumaça lentamente. De valente e saudosa a fumante foi um passo. Um cigarro acompanhado de tontura e intenção de não repetir, a outro cigarro horas depois, me fizeram perder o respeito por mim e a pensar que de tão livre eu poderia fazer isso quantas vezes quisesse. O resultado foi a atitude infantil de fumar escondido, por vergonha dos que haviam apostado em mim, haviam aguentado meu mau humor, meu desespero, meu sofrimento. Esta postagem representa um marco, uma data em que repito o feito, desta vez acompanhada de um diagnóstico de alguns problemas físicos, que não posso ignorar. Estou me sentindo ameaçada e fumar não me parece mais algo atraente. Estou amedrontada e ciente de que não posso mais tentar. Espero encontrar o que preciso dentro de mim, por que, fora de mim tenho o apoio, de novo, das pessoas que me amam e que não quero decepcionar. Para aqueles que trabalham com isso, para quem tem amigos que desejam ajudar a parar de fumar, vale ressaltar o que os fumantes têm a ganhar parando de fumar, por que o que eles têm a perder eles repetem intimamente a cada cigarro que acendem. Aos que já pararam de fumar, têm minha admiração, por que conseguiram algo muito difícil e doloroso.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Boas Festas, e daí?
Somos sete bilhões de pessoas no mundo e vamos virar mais um ano juntos, na
condição de seres que partilham o mesmo planeta. Somos todos animais sociais, conscientes
de que só sobreviveremos se conseguirmos nos agrupar, se formos integrantes de uma
comunidade.
Seres humanos têm necessidades diferentes dos outros animais, pois crescemos
nos fazendo perguntas e fazendo perguntas aos outros. Sentimo-nos parte da aldeia se
nos permitirem as perguntas, se houver alguém disposto a respondê-las e se, a partir das
respostas, possamos fazer perguntas novas. As perguntas novas são a mola propulsora da
humanidade.
Há uma fatia grande demais de pessoas dentre essas sete bilhões, a quem não são
respondidas as perguntas, que nem sequer sabem que podem fazer perguntas novas, só as
velhas: haverá comida amanha? Quando essa guerra vai acabar? Esse filho que estou
esperando vai sobreviver? Há outras mais velhas ainda: Como posso me beneficiar do serviço
público? Como posso tirar vantagem dessa situação? Faz diferença de usar a vaga de que não
preciso? No meu caso, jogar lixo no chão não é tão grave, mas, será que alguém viu? São
perguntas velhas e revelam um conceito desatualizado, que é o da separação das pessoas,
onde o nós não existe, onde o individualismo é a tônica.
Há um contingente que é realmente feliz, por que encontra dentro de si o
contentamento da compaixão. Está sempre de olhos bem abertos para o outro, percebe o
outro e constrói amizades de verdade, confia e se envolve. O fato de estar comemorando uma
data significativa não modifica seus hábitos. Quem confia convive de verdade com o outro e é
o próprio presente, mesmo que costume dar presentes. Ele não reserva datas para o presente.
Desejar Boas Festas é querer que o outro, sinta menos medo, que se sinta em um lugar
seguro, onde ele possa fazer perguntas novas. O direito de fazer perguntas novas significa
substituir um mundo obsoleto, por um outro, cheio de confiança. As perguntas de um novo
mundo são formuladas visando a liberdade, o direito de todos e consistem em permitir que
todos falem sem barreiras sobre suas necessidades, com a garantia de que serão ouvidos.
A civilização não vive de respostas, mas se alimenta de perguntas e, enquanto
estivermos presos ao obsoleto, Boas Festas será somente para alguns.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Gravidez na maturidade
Acredito que gravidez em qualquer idade assusta. Sabemos que temos que dar conta de alguma forma daquilo que é grande demais, representativo demais para a nossa vida. As mulheres, a julgar pelas que conheço, têm o mesmo sentimento ao se saberem grávidas, que, a princípio, é medo, depois é que a ficha vai caindo, e elas começam a revelar ao mundo a sua condição. E o mundo festeja!
É festa saber que chegará um bebê e é isso que estamos comemorando. A chegada de um bebê que vem, segundo palavras do meu filho, na segunda metade do segundo tempo, por se tratar de uma gravidez na maturidade da minha nora e do meu filho. É um bebê que terá uma irmã de quase dez anos, o que representa algo não tão comum.
Estamos acompanhando a perplexidade, a alegria, a expectativa, o susto e comemoramos os rápidos preparativos para o recebimento daquele ou daquela que já tem um lugar consagrado em uma família feliz. O primeiro ninho de um bebê é o útero de sua mãe, mas isso não é suficiente. Começa-se a gestar um ninho dentro de cada coração, de cada pessoa que vai amar essa criança. Percebe-se o nascimento de sentimentos novos, da mesma forma que se vai criando espaço físico para que o bebê tenha conforto, acolhimento, saúde. O interior de cada um vai sendo preenchido de amor, pois é através dele que o novo bebê vai perceber o mundo e conseguir reconhecer seu lugar, sua importância.
Nossa neta, percebe-se, está fazendo o reconhecimento do terreno para a chegada de um irmão, ou de uma irmã. Ela já identificou lugares perigosos, já experimentou temor com relação a degraus, já imaginou a divisão de espaços, já dividiu mentalmente seus brinquedos. Percebe-se também a clara delimitação que já está estabelecida entre o que é dela, o que dá pra negociar e o que sempre será dela, numa demonstração de que a noção de limites deverá acontecer.
A gravidez mais tarde é vantajosa, pois nosso espírito é mais pacífico, já elaboramos a vida em muitos aspectos, nos conhecemos que mãe somos. Mais maduros já aprendemos o exercício da paciência, temos uma carreira consolidada, sem as angústias e incertezas que embalaram o começo. Juventude é um conceito histórico, que se faz na medida em que evoluímos e vivemos mais. Juventude é uma questão de saúde, de disposição, de atitude e seguramente não leva em consideração a idade. Minha norinha é linda, jovial, bem sucedida, saudável, feliz e será mãe de novo com muita propriedade. Meu filho, tão imbuído de seus compromissos, tem uma disposição incrível para o cuidado, para o afago e acredita piamente que sentar e conversar com a criança desde pequenininha é obrigatório, que levá-la a passear para conhecer os lugares importantes para ele é diversão garantida.
Venha bebê, seu lugar está pronto! Até seu nascimento ainda vamos elaborar surpresas, carinhos, vamos preparar nossas casas, nossos corações e serás muito feliz. A família está ficando grande e cheia de risos, de choros, dentinhos nascendo e dentinhos caindo, e você será mais alguém que amaremos até doer.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A morte de Joelmir Betting provocou em mim sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que o via como alguém próximo, alguém com origem parecida com a minha, eu o via, também, como alguém que falava sem dó o que eu não queria ouvir. Tenho uma mania estranha de fugir de assuntos que me desagradam, assim como fujo de brigas e de discussões como o diabo foge da cruz. As discussões de que falo não são as discussões de idéias, que essas eu adoro e, confesso, adoro ganhar, mas, quando perco, aprendo muito. Sei que toda a verdade precisa do contraditório, mas, como qualquer ser humano, é difícil olhar de frente o contraditório, já que temos a sensação de perder o chão. Joelmir funcionava pra mim como alguém que falava forte demais e, com suas palavras, tirava minhas esperanças, derrubava pessoas do status em que estavam, e, como o respeitava muito por não ser maledicente nem sensacionalista, eu acreditava no que ele falava, mesmo sabendo que ele podia errar, mas sem a intenção de distorcer informações, de puxar brasas para assados, de manipular opiniões. Ao contrário dos datenas, ele não era justiceiro, ao contrário dos ratinhos, ele não usava seres humanos como escada. Ele era um jornalista especializado em finanças e, percebia-se, não era do tipo de que pensa saber tudo, que dá pitaco opinativo em tudo. Acho que ele deixava as opiniões para os casoys. Joelmir também não tinha o charme dos globais, apesar de ter feito parte do rol, mas manteve uma postura própria, o que inspirava muita credibilidade. Este Brasil está de um jeito, que as palavras de Joelmir só podiam ser assustadoras, só podiam trazer más novas, mas o vi muitas vezes mais leve, mais relaxado. Para mim ele vai fazer falta, já que, hoje, acredito em pouca gente da poderosa mídia, essa que é o quarto poder, que depõe, julga, condena, manipula, distorce, idiotiza, corrompe. Os canais de televisão são concessões públicas, mas estão muito fortemente presas em poucas mãos.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Nosso bebê que não vingou
Quase tivemos um bebê, fruto do amor de um casal que se ama sem medida. Afirmo isso, baseada no fato de que a frustrada gravidez provocou nos dois, um grau de sofrimento enorme, mas um grau maior de cuidado e carinho, que os fez resilientes, fortes e cientes de que são felizes. A felicidade dos dois ficou visível pela disposição de recomeçar, de voltar à alegria de viver, certos de que a ideia de serem pais é prova do amor que existe e que eles expressam na forma inconfundível. Os três dias de apreensão e de sofrimento, mostraram a solidariedade de muitos, que, mesmo de tão longe, não economizaram orações, lágrimas, mensagens, presença concreta. O bebê que não veio ocupou seu lugar e ficará nele para sempre. Já o amávamos, já o imaginávamos, já havíamos inserido o serzinho em nossos corações e em nossas vidas. Seria uma criança feliz e amada. Agora, o lugar do bebê que não veio, será generosamente cedido a um outro bebê, que virá ocupar um lugar que está vago e cheio de colos, beijos, abraços, risos. Que a vida continue nos trazendo surpresas, às vezes sofridas, mas que ela nos pegue fortes e unidos pelo amor. Como sempre...
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Nova paixão
O cotidiano faz com que passemos os dias com a sensação de que não aconteceu nada, mesmo que realizemos muitas coisas. Tornar nosso dia a dia interessante é um desafio e é o que proponho a mim mesma o tempo todo. O mundo se nos apresenta novo a todo momento e ignorar isso é acomodação. Ter uma vida interessante é olhar para os lados, observar pessoas, comportamentos, entender a dinâmica frenética da cidade, que muda no trânsito, na arquitetura, no clima, nos sons. Acompanhar o ritmo da vida implica em ficar atenta e não abrir mão das paixões que nascem, sem que esperemos. Outro dia, olhei para o Diego, meu amigo de tantos anos e que organizou meu primeiro livro com tanto entusiasmo, e fiquei louca pra ter a sensação de ter isso de novo. Ao propor a ele um livro novo, vi reluzir em seus olhos um furor, uma paixão pelo projeto, que me surpreendeu. Não fiquei surpresa pelo entusiasmo dele, que isso é sua característica, mas pelo fato de ser comigo, que tenho projetos tão alheios à sua formação filosófica. Sou alguém que escreve o prosaico, o óbvio, a vida como ela é, sem firulas e devaneios românticos, nem tão filosóficos, embora, reconheço, dou umas investidas nesse sentido. Contar com o Diego é muito bom e me empurra, me instiga a fazer algo lindo, o mais lindo que eu possa, para que meu novo livro seja minha nova paixão. Chamo de paixão as utopias que movem minha vida, que pretendo sempre nova, sempre inquieta, sem pretender ser jovem, mas com o vigor da juventude. O vigor físico é uma limitação que não lamento, por ser natural, assim como não ligo para as modificações que a idade traz e que são visíveis a cada vez que me olho no espelho. Eu estaria com sérios problemas se minha idade não fosse visível e sensível, pois não seria uma pessoa normal. Mas o vigor necessário por me apaixonar por projetos de vida, isso não quero perder nunca e meu novo livro acena para mim, lá em março, quando o Diego e eu virmos um objeto inanimado conter o trabalho cheio de dedicação por parte dos dois. Esse objeto ganhará vida no momento em que entrar em contato com pessoas, quando ele entrar nas estantes da casa de amigos, quando for percorrido por olhos generosos. O intuito de quem escreve é ser lido, então lá vai mais um projeto para o prelo, o que será bom, muito bom.
Meus Natais
Meus Natais traziam cheiro,
Sobretudo de confeitos,
Colocados em cima de biscoitos
Tão brancos como a neve,
Do algodão de cima do pinheiro.
Meus Natais continham medo,
De haver errado em conduta,
Meus Natais traziam cheiro,
Sobretudo de confeitos,
Colocados em cima de biscoitos
Tão brancos como a neve,
Do algodão de cima do pinheiro.
Meus Natais continham medo,
De haver errado em conduta,
E não merecer nada do velhinho,
Que sorrateiro aparecia,
Na forma de brinquedos e fantasia.
Meus Natais de hoje
Trazem filhos, netos, genros e noras,
Que simbolizam os cheiros e presentes,
Dos Natais de outrora.
Que sorrateiro aparecia,
Na forma de brinquedos e fantasia.
Meus Natais de hoje
Trazem filhos, netos, genros e noras,
Que simbolizam os cheiros e presentes,
Dos Natais de outrora.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Enfim, sós!
Nossa casa está em silêncio, incrível,
Toda arrumada, como nunca,
Sem o furor da correria, de tanta gente.
Foi esta casa que abrigou,
Crianças, jovens e velhos,
As necessidades mais prementes,
E aquelas que escolhemos de presente.
Rimos, choramos, nos divertimos à larga,
Fizemos barulho, comemos, bebemos
E dormimos em três quartos, que façanha!
Precisaríamos de mais, mas conseguimos,
Imprimir em cada um a tolerância,
Fruto do amor que embalou nossa vida,
Para viver em grupo, em dupla, em trinta.
Estamos sós agora, papai e mamãe,
Com as portas escancaradas e com a casa pronta,
Para acolher todos os que se achegaram, devagarinho
Ou com pressa, mas que conquistaram
Um lugar de destaque nessa casa,
Que não será nem grande, nem pequena,
Mas do tamanho certo para a família que conquistamos.
Nossa casa está em silêncio, incrível,
Toda arrumada, como nunca,
Sem o furor da correria, de tanta gente.
Foi esta casa que abrigou,
Crianças, jovens e velhos,
As necessidades mais prementes,
E aquelas que escolhemos de presente.
Rimos, choramos, nos divertimos à larga,
Fizemos barulho, comemos, bebemos
E dormimos em três quartos, que façanha!
Precisaríamos de mais, mas conseguimos,
Imprimir em cada um a tolerância,
Fruto do amor que embalou nossa vida,
Para viver em grupo, em dupla, em trinta.
Estamos sós agora, papai e mamãe,
Com as portas escancaradas e com a casa pronta,
Para acolher todos os que se achegaram, devagarinho
Ou com pressa, mas que conquistaram
Um lugar de destaque nessa casa,
Que não será nem grande, nem pequena,
Mas do tamanho certo para a família que conquistamos.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Solidariedade entre mulheres!
Nos
últimos dias tenho observado mais atentamente o dia-a-dia de muitas mães, na
medida em que, às vezes, acompanho a saída do meu neto da escolinha. São
mulheres expostas a uma vida que, há bem pouco tempo, seria inviável. Cuidar de
crianças é trabalho árduo, embora prazeroso, isso dito por todas as mães,
todas, evidenciando que, no quesito amor, não mudamos nada.
Essas
mulheres atendem múltiplos interesses, enfrentam um trânsito insano, são
movidas pela responsabilidade de uma profissão, pela casa que cuidam com
esmero, por uma relação amorosa que também demanda um aporte emocional enorme
e, legitimamente, procuram ser felizes e participantes de uma sociedade que
ainda não sabe muito bem cuidar delas.
Solidarizo-me
com essas quase meninas, mães, profissionais, donas de casa, que estão fazendo
a vida pós moderna, ou ultra moderna. Não sei se as pessoas da minha idade
conseguiriam desempenhar tão bem o que elas fazem. Além do mais, elas inauguram
uma modalidade familiar que também não conhecemos ainda: elas têm, geralmente,
só um filho.
Em
um programa de TV, produzido a partir da ECO 90, apresentado no TV FUTURA,
mostraram alguns jovens que os jornalistas acompanharam desde a época. As
filmagens do nascimento, da primeira infância, da adolescência e de adultos,
mostram que as fórmulas tradicionais não são as únicas capazes de resultados
educacionais e humanos satisfatórios e que, em meio às adversidades, à
violência, à fome, à solidão, gravitam pessoas cujos filhos conseguem
sobreviver com dignidade. O principal foi constatar que as crianças têm uma
incrível capacidade de resiliência e que o amor dos filhos pelos pais e dos
pais para com os filhos está incólume.
Solidarizo-me
com os que sabem ser este o único lugar que temos para viver e que este deve
ser arranjado da melhor forma, mesmo que adverso e concorrido e assustador e
cuidam dos seus com tanto carinho.
Solidarizo-me,
principalmente, com as mamães que vivem situações limite, a exemplo do fato tão
insólito desta semana, quando um bebê foi esquecido dentro do carro. Imagino o
horror ao verificar que, mesmo tomando todos os cuidados do mundo, podem
ocorrer lapsos graves, causados pela correria insana em que estamos metidos. A
solidariedade deve ser a tônica dos que falam sobre o assunto, dos que lidam
com o assunto e dos que têm contato com a família que sofreu tamanho trauma.
Solidarizo-me
também com as vovós, que gostariam de ver suas filhas e noras um pouco menos
atarefadas, mas que compreendem e ajudam quando podem, sem pensar que o certo
está com elas, que o certo só acontecia como na música que Angela Maria
cantava: “são casas simples, com cadeiras na calçada, e na fachada escrito em
cima que é um lar...”, pois esse mundo só acontece de vez em quando, muito de
vez em quando.
Enquanto
isso, continuamos mulheres do mesmo jeito de antes, as crianças nascem do mesmo
jeito de antes. O que necessitamos é aprender todos os dias novas formas de nos
cuidarmos uns dos outros.
Publicado em 11/10/2012 no Jornal Diário da Manhã
Publicado em 11/10/2012 no Jornal Diário da Manhã
sábado, 15 de setembro de 2012
Piquenique, que coisa boa!
Está
acontecendo um movimento por aqui, que premia nossos mais nobres sentimentos de
compartilhamento da vida. As grandes extensões urbanas para convívio comum
deixarão de ser áreas entregues ao descaso, para tornarem-se de uso para a vida
boa, coisa tão cara à filosofia grega.
É
comum vermos nas grandes cidades do mundo, as pessoas procurarem as praças e
parques para tomar sol, brincar na neve, estender toalhas na grama e promover
um convívio ao ar livre impossível para quem vive confinado em apartamentos. Em
Paris criam até um ambiente de praia, enchendo ruas e ruas de areia, onde a
população leva cadeiras, guarda-sóis e comida.
Pois,
aqui na nossa cidade, há um grupo organizando um piquenique na Praça Tamandaré
para comemorar a chegada da primavera. Fico imaginando a beleza do cenário, a
praça toda bonita e cuidada por uma associação, há tempos, toalhas jogados
sobre os gramados, crianças correndo, comidinhas sendo oferecidas uns aos
outros, numa verdadeira festa de alegria por conviver, não só uns com os
outros, mas com a natureza.
A
vida boa dos gregos é isso! É ter a cidade para o povo, organizada de forma a
que todos tenham acesso a ela. E isto também é democracia, no ótimo sentido da
palavra. O povo não deve adaptar-se à cidade, mas a cidade deve ser organizada
de tal forma, para todos os cidadãos possam usá-la. Daí as lutas por
acessibilidade, por beleza, por segurança.
Imagino
que um evento desses seja o pontapé inicial para uma nova ordem pública, onde o
povo ocupa a cidade, por que a cidade não existe só em função dos carros, mas
ela existe para as pessoas circularem, para as bicicletas, para os skates, para
o lazer. A alegria pode ser a tônica dos finais de tarde, a troca de ideias
também. Isso de sairmos do trabalho e nos trancarmos a chave em casas e
apartamentos gradeados, mortos de medo do que pode vir de fora, tem os dias
contados, pois, isso não aguentamos mais.
Uma
cidade que tem uma avenida principal tão linda quanto a nossa, deve sentir um
orgulho imenso e transformá-la em uma via de circulação de todas as formas de
transporte, seja pelas nossas próprias pernas, o que dá um pique e um bem estar
danado, seja para permitir que se vá trabalhar de bicicleta, o que desafogaria
em muito a circulação de carros, seja para que se faça com que o transporte
público fique mais racional e planejado com inteligência, enfim, temos uma
Avenida Brasil como nenhuma outra. A nossa é a mais larga, com os canteiros
centrais mais amplos e as mais lindas possibilidades.
Vamos
aguardar mais manifestações como a do pequinique na praça, pois não acredito,
que depois de experimentá-lo, consigamos olhar novelas e faustões e iô-iô-iô e tcha-tcha-tcha
com a mesma tolerância de até agora.
Há,
importante dizer, que música alta não será permitida na praça. Ufa!
Publicado no Diário da Manhã de 14/09/2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Bruno, o caçula
Meu caçula é coisa nova,
Daquela geração tão rápida,
E daquela que é tão feliz.
Meu caçula é coisa nova,
Daquela geração tão rápida,
E daquela que é tão feliz.
Ele tem a tranquilidade de quem sabe,
Que o mundo que existe, já não serve,
E constrói um novo, com outras bases,
Para desespero dos instalados.
Divirto-me com a tolerância,
Com que trata o que é obsoleto,
E, magnânimo, oferece soluções ainda verdes,
Que passamos a entender bem mais tarde.
Para ele as asas são ferramentas poucas,
Ele necessita máquinas, apetrechos, lógica,
Para viver esse mundo que aguarda,
Mais gente que, como ele, olha o velho, valoriza,
Mas constrói para a sua vida, coisas que,
Para nosso entendimento, são mistério.
Vai, meu filho! Precisamos de um mundo novinho!
Que o mundo que existe, já não serve,
E constrói um novo, com outras bases,
Para desespero dos instalados.
Divirto-me com a tolerância,
Com que trata o que é obsoleto,
E, magnânimo, oferece soluções ainda verdes,
Que passamos a entender bem mais tarde.
Para ele as asas são ferramentas poucas,
Ele necessita máquinas, apetrechos, lógica,
Para viver esse mundo que aguarda,
Mais gente que, como ele, olha o velho, valoriza,
Mas constrói para a sua vida, coisas que,
Para nosso entendimento, são mistério.
Vai, meu filho! Precisamos de um mundo novinho!
Ricardo primogênito
Foste o primeiro, que expectativas!
Carregaste os temores dos que começam,
Sabíamos do muito amor já com raízes,
Foste o primeiro, que expectativas!
Carregaste os temores dos que começam,
Sabíamos do muito amor já com raízes,
Plantadas durante anos, tempo de tua espera.
Não sabíamos da alegria, uma constante, cantante
Enquanto crescias, tão depressa, olhar atento,
De quem sabe puxar uma fila
De outras tantas alegrias,
Que encheram nossa casa de tantas camas,
De tantos livros, que amaste desde cedo.
A tua cara séria não assusta,
Esconde uma ternura nunca vista
Sobrancelhas cerradas escondem
Uma alma altruísta, onde cabe tudo,
E não só a nós, tua família, mas todos os que,
Como nós, partilham tua vida.
Não sabíamos da alegria, uma constante, cantante
Enquanto crescias, tão depressa, olhar atento,
De quem sabe puxar uma fila
De outras tantas alegrias,
Que encheram nossa casa de tantas camas,
De tantos livros, que amaste desde cedo.
A tua cara séria não assusta,
Esconde uma ternura nunca vista
Sobrancelhas cerradas escondem
Uma alma altruísta, onde cabe tudo,
E não só a nós, tua família, mas todos os que,
Como nós, partilham tua vida.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Conversa com o Théo
Há exatamente um ano, quando te preparavas para nascer, conversei contigo emocionada. Hoje participei do teu primeiro aniversário, junto com as pessoas que estavam à mão, por que, se pudessem, teríamos contado também com a tia Vanessa, o Tio Rodrigo, o teu primo Augusto e a tua prima Aninha, assim como os teus dindos Flávia e Paulo. Quem almoçou um delicioso churrasco contigo foram os teus pais, teus avós, teus tios e tua prima, todos comemorando a tua presença. Tu tinhas que ver a alegria com que nos recebeste, era um sorriso pra cada um, uma festa de brinquedos e brincadeiras. A tua paixão pela Galinha Pintadinha foi comemorada com uma galinha de brinquedo que teus pais te deram. Dizem que sentaste no chão com ela e conversaste um tempão. Na minha opinião, o que mais te diverte é a música, por que prestas atenção, danças e bates palmas quando a música acaba. A cantoria que fizemos te assustou um pouquinho, aí procuramos baixar o volume. Preciso te contar como foi o ano que se passou, para que, mais tarde, entendas o que a tua chegada significou para todos nós que te amamos tanto. Imagina um bebê todo cheiroso, que crescia como uma abóbora, cada dia mais lindo... nós quase fomos à loucura, todos. Teus cabelos que já tinhas eram de um ruivo bem amarelinho, e tornaram-se alaranjados, cada vez mais alaranjados. Foi uma sucessão de progressos, sorrisos, gargalhadas, intermináveis crises de choro, dias de frio em que eras empacotado até o pescoço, sem possibilidade de usar calçados, pois nada ficava bem, tudo caía, e assim fomos nos divertindo, nos revesando, vendo a felicidade e o movimento diferente e maravilhoso que trouxeste para as nossas vidas. Imagina a alegria com teus primeiros dentinhos, aos cinco meses, veja só, para em seguida nos surpreenderes ficando sentado, para depois fazeres esforços cada vez maiores de locomoção. Teus movimentos tornaram-se complexos mesmo, após os seis meses, quando conseguiste sair do lugar. O esforço que fazias para passar por cima de uma perninha que teimava em ficar parada era muito engraçado, pois exigia muitas e muitas tentativas, aliás, dias de tentativas, até que conseguiste engatinhar com perfeição. Sim, os movimentos de pés e mãos eram perfeitamente sincronizados, ao mesmo tempo em que teu corpo acompanhava com elegância e executavas uma verdadeira dança ancestral em busca da vida. Agora imagina todo mundo babando ao ver que te erguias, dia após dia, ora no sofá, ora na perna da mamãe e, um passo dado e um tombo; levanta, dois passos e um tombo, até que te ergueste de vez, caíste muito, houve testa roxa, marquinhas pra cá e pra lá, mas, sem desistir fizeste jus ao status de homus erectus, o que era esperado, mas não com dez meses. És um menino rápido, agora com os cabelos mais alourados, nem gordo nem magro, nem baixo nem alto, és o nosso bebê na medida certa. Neste primeiro ano de vida devemos agradecer-te por seres o bebê mais maravilhoso do mundo.
Da tua vovó Sueli
Cássio, meu filho!
Dos filhos homens és o do meio,
E dentre eles o mais doce, o mais perto.
Pareces eleito pra cuidar,
Dos filhos homens és o do meio,
E dentre eles o mais doce, o mais perto.
Pareces eleito pra cuidar,
E cuidado devo ter pra não deixar.
Deves ser livre, demos-te asas,
Que deves usar sem temor, com coragem,
Tens talento pra tudo, mas coragem,
Diga não quando cansar.
Devo-te tanto, principalmente aquele olhar
Quando preciso me animar,
Aí vem aquela conversinha engraçada,
Que me faz rir até chorar.
Na mesa selecionas, o que não gostas não comes,
Mas não recusas simplesmente,
Fazes graça e justificas, com pesquisa séria,
O que gostas é bom, o que não, não faz sentido.
Quando puderes, fica pertinho,
Pra que eu sinta tua presença,
Que poderosa em muitos sentidos,
É muito mais forte pelo carinho.
Deves ser livre, demos-te asas,
Que deves usar sem temor, com coragem,
Tens talento pra tudo, mas coragem,
Diga não quando cansar.
Devo-te tanto, principalmente aquele olhar
Quando preciso me animar,
Aí vem aquela conversinha engraçada,
Que me faz rir até chorar.
Na mesa selecionas, o que não gostas não comes,
Mas não recusas simplesmente,
Fazes graça e justificas, com pesquisa séria,
O que gostas é bom, o que não, não faz sentido.
Quando puderes, fica pertinho,
Pra que eu sinta tua presença,
Que poderosa em muitos sentidos,
É muito mais forte pelo carinho.
sábado, 1 de setembro de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Hiperatividade, uma questão
complicada
O
número de pais que diagnosticam e rotulam seus filhos como hiperativos é
preocupante. A vontade de medicar crianças que “incomodam”, que “não param
quietas”, os leva a procurarem um pediatra e, não raro, são apoiados e
atendidos, sem que haja embasamento suficiente para uma avaliação e têm os
filhos “parados” por medicamentos.
As
escolas, desde que existem, contam com crianças agitadas, barulhentas,
brincalhonas, assim como com as sossegadas, organizadas, ciosas por estudar e
contam também com casos especiais, o que demanda observação séria por parte de
professores, pais e profissionais. No caso de haver suspeita de hiperatividade,
o encaminhamento da criança ao pediatra não basta, devendo-se estender o atendimento
a outros profissionais, como ao psiquiatra que, avaliando o caso, receitará
remédios ou não.
Tratar
com leviandade algo como a hiperatividade, levou o Conselho Federal de
Psicologia (Zero Hora 19/08/2012 pg.23) a fazer uma campanha nacional chamada
Não à Medicalização da Vida. A campanha deve-se ao fato de que, em 2000
consumiu-se 70 mil caixas de remédio para hiperatividade, ao passo que em 2010
o número subiu para 2 milhões, vejam só!
Aos pais cabe respeitar a infância e não
rotulá-la ao sabor de comentários sem fundamento. A expressão “meu filho é
hiperativo” corre solta nos portões das escolas, nas reuniões de pais, entre
amigos. Esses mesmos pais descrevem a pretensa patologia com expressões que
revelam crianças felizes, que brincam, tagarelam, resistem a ficar sentadas
quietinhas (coisa boa) bebendo do saber adulto, respeitando a autoridade que
vem imposta e não reconhecida.
Aos professores cabe a imensa responsabilidade
de detectar, sim, algo que esteja impedindo a aprendizagem de crianças e devem
alertar os pais para que ajudem a observar, sem que haja formulação de
diagnósticos apressados, que podem servir de rótulo e discriminação. Após essa
medida responsável e a detecção de que algo anormal esteja realmente
acontecendo, a criança merece o melhor que a medicina pode oferecer, que é
avaliação criteriosa, feita por especialistas e usar medicação específica. Mas
isso ainda não basta. Os medicamentos devem ser ministrados por adultos
responsáveis, que não interrompam, nem esqueçam, nem aumentem ou diminuem a
prescrição feita pelo psiquiatra.
A
tarefa do professor é enorme, a responsabilidade dos pais é imensurável, mas
deixar por menos é crime, na medida em que, ao se omitir o cuidado, nega-se a
possibilidade de desenvolvimento saudável, o que, fatalmente, trará
consequências.
Publicado no Diário da Manhã de 21/08/2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
A menina e o Facebook
A menina de oito anos
estava louca por uma página no Facebook e usou o domingo para pedi-la. Os pais,
temerosos, argumentaram sobre a necessidade de se ter dezoito anos, sobre a
possibilidade de invasão de desconhecidos, sobre o tempo que seria dispensado à
página todos os dias e a menina, filha única, insistiu e argumentou também.
Disse ter amigos com face, disse ter saudades das tias e tios e que aceitaria
as restrições que lhe seriam impostas.
A
elaboração da página pela mãe foi acompanhada com ansiedade, a postagem de
fotos nem se fala, mas, a chegada de convites de amizade causaram-lhe um
frenesi. Foram gastas duas horas para que tudo começasse a funcionar e para que
a menina conseguisse entender o funcionamento da coisa. Aí começou tudo...
Face
funcionando, menina excitada, pais preocupados e, como não poderia deixar de
ser, começou o estabelecimento de regras: 1) não pode aceitar ninguém sem
supervisão; 2) entrar na página sem tomar café, escovar os dentes, arrumar os
cabelos, trocar de roupa e ter as tarefas escolares prontas, nem pensar; 3) em
dia de sol tem que brincar lá fora; e,4) comportar-se com educação e respeito
com todas as pessoas com que entrar em contato, como se fosse ao vivo.
A
sanção para o não cumprimento das regras: fechamento imediato da página de
relacionamento. Acostumada com regras e com o cumprimento delas, a menina
aceitou tudo e, relutante, foi dormir. A vontade dela seria continuar
conversando com seu primo, mas o horário de dormir – regra anterior – havia
chegado.
Na
manhã seguinte sua avó acordou cedo e deparou com a neta toda arrumada, de
uniforme do colégio, cabelo escovado, toda linda e... teclando. Havia uma fila
de pedidos de amizade não aceita, que passou pelo crivo da avó. Sim, já havia
tomado café – banana com granola e leite = e os dentes estavam impecáveis. E,
sim, as tarefas haviam sido feitas, só faltava estudar para a prova de língua
portuguesa, coisa que foi cobrada a seguir pela mãe pelo telefone e, sim, ela
estudou, um monte. A avó ainda está contando pra todo mundo...
Do
resultado de algo tão simples e tão perigoso pode-se tirar algumas conclusões:
a menina, assim como muitos de seus colegas e amigos, é filha única e necessita
interagir e tagarelar e trocar; a novidade proporcionou aos pais uma
preocupação a mais, mas viu a filha levantar mais cedo, tomar café e sentir
necessidade de lanchar no meio da manhã; deu a chance a eles de conversar sobre
comportamento ético, sobre os perigos da internet, sobre delicadeza e respeito;
constatou-se mais prontidão para os estudos; viu-se que a pouca habilidade para
teclar- com um só dedo – deu lugar a uma agilidade muito maior e com o uso de
mais dedos, capacitando-a para outras tarefas.
Diante
das ofertas que a tecnologia traz, cabe aos pais, não rechaçá-las, mas tomar as
providências de segurança de que os filhos necessitam. Deixar crianças soltas
diante do computador é como abandoná-las na rua à noite. A internet é lugar
público e exige cuidados e um comportamento adequado, sem dar lugar à exposição
exagerada, nem chance de que a inocência seja violada. Atenção e cuidado são
pressupostos para quem cuida de crianças e amor e proteção são direitos
inalienáveis de todas elas.
Publicado no Jornal Diário da Manhã em 17/08/2012
No dia 01/09/2012 este artigo serviu de base para uma matéria no Diário da Manhã, acerca das crianças e o acesso à internet. Fomos visitados pela jornalista Alessandra, que entrevistou a Cecília e a Vanusa. A matéria é bem educativa.
No dia 01/09/2012 este artigo serviu de base para uma matéria no Diário da Manhã, acerca das crianças e o acesso à internet. Fomos visitados pela jornalista Alessandra, que entrevistou a Cecília e a Vanusa. A matéria é bem educativa.
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